sexta-feira, 22 de junho de 2007

O carvalho e o junco






Conversando, certo dia disse o carvalho ao junco:

-Tens bons motivos para reclamar da natureza. Até um passarinho é um fardo para ti.
Um ventinho à toa que faça a superfície da água ondular, obriga-te a cabeça baixar.
Por outro lado, a minha fronde, Não contente em enfrentar os raios de sol, enfrenta corajosamente a tempestade. Para ti tudo é vento violento, para mim brisa suave. Se nascesses abrigado pela folhagem com que eu cubro a vizinhança, não irias sofrer tanto: Eu havia de defender-te da chuva. Mas costumas nascer nas bordas húmidas do reino do vento. A natureza parece bastante injusta contigo.
-A tua compaixão-respondeu o arbustro-É sincera, eu sei, mas não te inquietes: para mim, os ventos não são terríveis; Eu curvo-me e não me quebro. Tu, com esse corpo grande resistes sem entortar, mas espera o que está a chegar.
Enquanto assim conversavam, lá do horizonte furiosamente surgiu a mais terrivel das tempestades, que os ventos do norte podiam trazer. A árvore tentou resistir, o junco curvou-se. O vento tornou-se mais forte. E tanto fez que destruiu aquele que tinha o céu como vizinho de cima, e as raízes no andar de baixo.




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