Pobre boneca, coitada!
Que vestido tão rasgado!
E nessa face rosada
que ar tão triste e desolado
Pobre boneca, coitada
No teu canto, abandonada,
sem um só olhar amigo,
sem afagos nem carinhos,
vês de longe a brincadeira
passar por outros caminhos...
...enquanto a escura poeira
suja o teu claro vestido
como se el fosse um trapo,
triste farrapo
esquecido
Pobre boneca partida
deixada à margem da vida.
A tua mágoa, afinal`
é quase gémea da minha...
Tão velhote, por meu mal,
uma última ilusão...
...sou como um livro rasgado,
como um boneco quebrado
que se esquecesse no chão...
Mas não chores, minha amiga,
que chorar é desacerto
e a tua beleza antiga
depende só ... de um conserto...
Pudesse eu, por minha sina,
ter também essa certeza...
Mas só lamentar-me
porque não há oficina
- Que tristeza!-
que consiga ... consertar-me...
As histórias do avôzinho




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