quinta-feira, 1 de março de 2007

O leão e o mosquito


-Vai-te embora, insecto magrinho, criatura mais chata do mundo!

Foi assim que o leão nervosinho, um dia ordenou ao mosquito. O mosquito então resolveu declarar guerra:

-Achas que o teu título de rei me mete medo ou me preocupa? Um boi é maior que tu, e nem por isso me assusta.

Quando acabou de dizer isto, decidiu atacar, armado em valentão. Em seguida ganhou lanço e mergulhou com precisão na juba do leão.
O leão espumou e o seu olho faíscou.

Ele rugiu e a terra estremeceu.

Fez tanto barulho e ficou tão aflito

só por causa de um bichito...

O solitário mosquitomais parecia um enxame

ora lhe picava o corpo, ora o focinho,

Chegando mesmo até ao fundo do nariz.

O leão quase explodiu de raiva.

O minúsculo inimigo triunfou e pôs-se a rir

quando viu as garras e os dentes da fera irritada

a tirar sangue da própria pele.

O infeliz leão feriu-se sozinho,

ao chicotear-se com a cauda de um lado para o outro.

E tanto movimento fez

que acabou vencido pelo furor e pelo cansaço.

O pequeno insecto retirou-se orgulhoso

e assim como atacou, a vitória comemorou.

Por todo o lado festejou até encontrar

uma emboscadano caminho: uma aranha

que o liquidou.





Que lições podemos tirar desta história?

Pelo menos duas: Entre os nossos inimigos

devemos temer sempre os mais pequeninos.

E, diante dos grandes perigos,

devemos estar atentos aos menores obstáculos.
As mais belas fábulas de La Fontaine

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