
Foi assim que o leão nervosinho, um dia ordenou ao mosquito. O mosquito então resolveu declarar guerra:
-Achas que o teu título de rei me mete medo ou me preocupa? Um boi é maior que tu, e nem por isso me assusta.
Quando acabou de dizer isto, decidiu atacar, armado em valentão. Em seguida ganhou lanço e mergulhou com precisão na juba do leão.
O leão espumou e o seu olho faíscou.
Ele rugiu e a terra estremeceu.
Fez tanto barulho e ficou tão aflito
só por causa de um bichito...
O solitário mosquitomais parecia um enxame
ora lhe picava o corpo, ora o focinho,
Chegando mesmo até ao fundo do nariz.
O leão quase explodiu de raiva.
O minúsculo inimigo triunfou e pôs-se a rir
quando viu as garras e os dentes da fera irritada
a tirar sangue da própria pele.
O infeliz leão feriu-se sozinho,
ao chicotear-se com a cauda de um lado para o outro.
E tanto movimento fez
que acabou vencido pelo furor e pelo cansaço.
O pequeno insecto retirou-se orgulhoso
e assim como atacou, a vitória comemorou.
Por todo o lado festejou até encontrar
uma emboscadano caminho: uma aranha
que o liquidou.
Que lições podemos tirar desta história?
Pelo menos duas: Entre os nossos inimigos
devemos temer sempre os mais pequeninos.
E, diante dos grandes perigos,
devemos estar atentos aos menores obstáculos.
As mais belas fábulas de La Fontaine


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